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Decisão monocrática
Atenção: O texto abaixo representa a transcrição de Decisão monocrática. Eventuais imagens serão suprimidas.
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARANÁ 1ª VICE-PRESIDÊNCIA Autos nº. 0046051-43.2026.8.16.0000 Recurso: 0046051-43.2026.8.16.0000 Pet Classe Processual: Petição Cível Assunto Principal: Admissão / Permanência / Despedida Requerente(s): SONIA NAOMI YABIKU RAUL OSVALDO MENANTEAUX MORENO MARISA CARDOSO MARQUES TEREZINHA DE JESUS SOARES ALOISY GREGORCZYK LUIS ROBERTO FERNANDES HIRANO SUELI TEREZINHA MENA BARRETO MILTON MARQUES FILHO JOSE ANISIO SALAZAR IARA BEREZA DA SILVA BEATRIZ MICKOSZ GREGORCZYK Silvia Bernadita de Loudes Espinoza Vidal ELOIR JOSE SBALQUEIRO Lourdes Zonatto Hirano Requerido(s): COMPANHIA DE TECNOLOGIA DA INFORMACAO E COMUNICACAO DO PARANA - CELEPAR I – JOSE ANISIO SALAZAR e OUTROS interpuseram recurso extraordinário, com fundamento no artigo 102, inciso III, alínea “a”, da Constituição Federal, contra os acórdãos proferidos pela 20ª Câmara Cível deste Tribunal de Justiça. Os Recorrentes alegaram a repercussão geral da matéria, nos termos dos artigos 102, § 3º, da Constituição Federal e 1.035, §2º, do Código de Processo Civil. No mérito, sustentaram em suas razões ocorrer violação ao artigo 114, I, da Constituição Federal, sob a assertiva de que os insurgentes já estão aposentados pelo Regime Geral de Previdência Social e, por isso, o vínculo de emprego público com a ora Recorrida estaria rompido, nos termos do art. 37, §14, da CF. Com esse fato, defendem que a controvérsia deixou de ter natureza trabalhista e passou a ter natureza constitucional-administrativa, razão pela qual a competência seria da Justiça Comum Estadual, e não da Justiça do Trabalho. Afirmam que, no caso, a causa de pedir não busca discutir relação de trabalho nem validade de acordo coletivo, mas sim os efeitos jurídicos de um costume administrativo mantido por cerca de 20 anos pela recorrida, referente ao custeio dos benefícios de plano de saúde e seguro de vida a aposentados, o que atrairia a competência da Justiça Comum. II - Entretanto, da análise do aresto impugnado, não se vislumbra o prequestionamento dos dispositivos constitucionais suscitados, uma vez que o Colegiado não examinou a controvérsia sob os enfoques constitucionais indicados. Assim, verifica-se que não resta satisfeito o indispensável requisito do prequestionamento, incidindo a Súmula 282 do Supremo Tribunal Federal: “É inadmissível o recurso extraordinário, quando não ventilada, na decisão recorrida, a questão federal suscitada”. Nesse mesmo sentido: DIREITO PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA. SÚMULAS 282 E 356/STF. RECURSO DESPROVIDO. I. CASO EM EXAME 1. Agravo interno interposto de decisão que não conheceu do recurso extraordinário ante a ausência de prequestionamento da matéria constitucional, a atrair a incidência das Súmulas 282 e 356/STF. 2. A parte alega insubsistentes os óbices apontados. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO 3. A questão em discussão consiste em saber se é admissível o recurso extraordinário quando inexistente prévio debate sobre a matéria constitucional suscitada. III. RAZÕES DE DECIDIR 4. Ausente o necessário prequestionamento, ante a inexistência de prévio debate da matéria constitucional, incidem os óbices das Súmulas 282 e 356/STF. IV. DISPOSITIVO 5. Agravo interno desprovido. (ARE 1542683 AgR, Relator(a): NUNES MARQUES, Segunda Turma, julgado em 03-06-2025, PROCESSO ELETRÔNICO DJe- s/n DIVULG 09-06-2025 PUBLIC 10-06-2025) Além do mais, consignou o Órgão Colegiado, no julgamento dos embargos de declaração nº 0122831-58.2025.8.16.0000 (mov. 33.1): “A decisão de mov. 20.1 dos autos de embargos de declaração nº 0034507- 92.2025.8.16.0000 rejeitou o pedido e decidiu que em razão de fato superveniente, os autos devem ser remetidos à Justiça do Trabalho. Diversamente do que mencionou a parte embargante a decisão atacada analisou o mérito da questão ao decidir que a controvérsia envolve ex-empregados celetistas aposentados e a empresa Celepar, sendo que o pedido formulado se refere à manutenção de benefícios de natureza trabalhista previstos em acordos coletivos de trabalho. Os documentos comprobatórios desses acordos (mov. 52.29 a mov. 52.48) foram juntados nos autos do recurso de agravo de instrumento nº 0011550-34.2024.8.16.0000. Ressalta-se que os benefícios reivindicados encontram previsão, em regra, nas cláusulas 17ª e 22ª dos diversos acordos coletivos, conforme registrado na decisão ora embargada. Para ilustrar, destacam-se as cláusulas 17ª e 22ª do ACT 2020/2021. Em suma, visa a parte embargante a modificação do julgado em razão do seu mero inconformismo. (...) Assim, concluindo-se que a lide versa sobre a pretensão de manutenção de benefícios estabelecidos em Acordos Coletivos de Trabalho e não em alegados costumes ou outros atos administrativos, ainda que os autores sejam ex-empregados aposentados e seus dependentes, entendo que o caso se enquadra àqueles abarcados pelo entendimento do IAC nº 5, nada havendo que ser modificado no julgado.” (g.n.) Assim, denota-se que a Câmara Julgadora fundamentou que a controvérsia decorre de benefícios instituídos por acordos coletivos de trabalho, razão pela qual se aplica o entendimento consolidado do Superior Tribunal de Justiça no IAC nº 5, reconhecendo a competência da Justiça do Trabalho, inclusive em relação a aposentados. Portanto, exsurge que a convicção a que chegou o Órgão Julgador decorreu da análise das circunstâncias fáticas peculiares à causa, de maneira que o reexame da questão suscitada, com a modificação do julgado, configura-se inviável nesta fase processual diante do óbice da Súmula 279 do Supremo Tribunal Federal, máxime em face das premissas fáticas estabelecidas, acima destacadas. Confira-se: AGRAVO INTERNO NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. CONTROVÉRSIA QUANTO À COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO. AFERIÇÃO SOBRE NATUREZA CIVIL OU TRABALHISTA DA RELAÇÃO. NECESSIDADE DE REVOLVIMENTO DO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO DOS AUTOS. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 279 DO STF. MANIFESTA IMPROCEDÊNCIA. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO, COM IMPOSIÇÃO DE MULTA DE 5% (CINCO POR CENTO) DO VALOR ATUALIZADO DA CAUSA, NOS TERMOS DO ARTIGO 1.021, § 4º, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL, CASO SEJA UNÂNIME A VOTAÇÃO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS MAJORADOS AO MÁXIMO LEGAL EM DESFAVOR DA PARTE RECORRENTE, CASO AS INSTÂNCIAS DE ORIGEM OS TENHAM FIXADO, NOS TERMOS DO ARTIGO 85, § 11, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL, OBSERVADOS OS LIMITES DOS §§ 2º E 3º E A EVENTUAL CONCESSÃO DE JUSTIÇA GRATUITA. (ARE 1515376 AgR, Relator(a): LUIZ FUX, Primeira Turma, julgado em 07-04-2025, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-s/n DIVULG 10-04-2025 PUBLIC 11-04-2025 – g.n.) AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRABALHISTA. COMPETÊNCIA JURISDICIONAL. PLANO DE SAÚDE. SERVIÇO CUSTEADO PELO EMPREGADOR. CAIXA DE ASSISTÊNCIA DOS FUNCIONÁRIOS DO BANCO DO BRASIL – CASSI. RELAÇÃO DE TRABALHO. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO. RECONHECIMENTO DA RELAÇÃO DE TRABALHO: SÚMULAS NS. 279 E 454 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. AGRAVO REGIMENTAL AO QUAL SE NEGA PROVIMENTO COM APLICAÇÃO DE MULTA DE 1% SOBRE O VALOR ATUALIZADO DA CAUSA, SE UNÂNIME A VOTAÇÃO. (ARE 1387994 AgR, Relator (a): CÁRMEN LÚCIA, Primeira Turma, julgado em 22-08-2022, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-166 DIVULG 22-08-2022 PUBLIC 23-08-2022) Direito civil. Segundo agravo regimental no recurso extraordinário com agravo. Alegada violação ao art. 93, IX, da CF/88. Inocorrência. Tema 339 da repercussão geral. Competência da Justiça do Trabalho. Violação ao art. 114, I e IV, da CF/88. Reexame de fatos e provas. Impossibilidade. Súmula 279/STF. Agravo desprovido. (...) 5. A Corte de origem, com fundamento no acervo probatório constante dos autos, concluiu pela competência da Justiça do Trabalho para processar e julgar causa em que se pleiteia indenização com fundamento em atos praticados na constância de relação de trabalho. 6. Divergir desse entendimento demandaria o revolvimento do acervo fático-probatório, providência inviável no âmbito do recurso extraordinário. Nesses termos, incide no caso a Súmula 279 do Supremo Tribunal Federal. IV. Dispositivo 7. Agravo regimental desprovido. (ARE 1574251 AgR-segundo, Relator(a): GILMAR MENDES, Segunda Turma, julgado em 18-05-2026, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-s/n DIVULG 21-05-2026 PUBLIC 22-05-2026) III – Diante do exposto, inadmito o recurso extraordinário em razão da incidência das súmulas 279 e 282 do STF. Intimem-se. Curitiba, data da assinatura digital. Desembargador HAYTON LEE SWAIN FILHO 1º Vice-Presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná AR21
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